Fisioterapia na Saúde da Mulher com ênfase em Obstetrícia
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Pós-Parto: qual o papel do fisioterapeuta obstétrico?
Patricia Batista*
O pós-parto ou puerpério é o período em que ocorre a regressão das modificações locais e sistêmicas que ocorreram durante a gestação. Compreende um longo período, iniciando-se no 1º dia pós parto e indo além do 45º dia, sendo divido em imediato (1º ao 10º dia), tardio (10º ao 45º dia) e remoto (a partir do 45º dia)1.
O puerpério imediato é um período sensível, já que é nesta época que a MÃE se depara com um bebê real, o corpo assume uma nova função e se estabelecem os vínculos de mãe-filho, pai-filho, a tríade mãe-pai-filho e a nova família.
A atuação do fisioterapeuta obstétrico inicia-se desde o primeiro dia, ainda na maternidade, e acompanha toda a adaptação da chegada em casa.
Nesta fase, o fisioterapeuta atua na orientação em relação à postura adequada da mãe e da criança durante a amamentação e no estimulo a relação mãe-bebê; trata e previne dores musculares e articulares decorrentes deste processo de mudança corporal; trabalha a adaptações posturais necessárias para esta fase de novas demandas coporais; além de avaliar a musculatura abdominal e perineal, iniciando ainda na maternidade, o tratamento dadiástase abdominal, lesões perineais e edema vulvar, prevenindo assim disfunções do assoalho pélvico2.
Além disso, o fisioterapeuta por meio de avaliação da postura e sua relação psico-comportamental tem papel importante para se detectar precocemente a depressão pós-parto.
Se no puerpério imediato se iniciam as regressões das modificações gravídicas, no puerpério tardio, há o retorno gradativo das condições hormonais pré-gravídicas e o corpo já está melhor adaptado.
Nesta fase, com a amamentação em curso, trabalhar o equilíbrio e a funcionalidade postural é de suma importância, para a prevenção de desvios posturais e dores musculares.
No puerpério tardio um programa de tonificação da musculatura abdominal já pode ser iniciado, e a avaliação da funcionalidade da musculatura pélvica deve ser realizada para a prevenção ou tratamento de disfunções do assoalho pélvico como a incontinência urinária3.
Já no puerpério remoto, a regressão das modificações do período gestacional já cessou, a puérpera tem alta obstétrica e liberação para a atividade sexual.
A avaliação da função sexual se faz importante, para a prevenção e tratamento precoce de dispareunia e dor perineal4.
Agora, a mulher já se prepara para retornar a sua atividade física, cabendo ao fisioterapeuta trabalhar a funcionalidade da musculatura estabilizadora central (abdômen, assoalho pélvico, diafragma e multífidos) possibilitando o retorno a atividade física e/ou esportiva anterior, além do trabalho postural e de prevenção e tratamento de dores musculares e articulares5.
1. Baracho E. Fisioterapia Aplicada á Saúde da Mulher. 6ª ed. 2018.
2. Pinto e Silva et al. Manual lymphatic drainage and multilayer compression therapy for vulvar edema: a case series. Physiother Theory Pract, 2015; 31(7): 527–531
3. Dasikan Z; Ozturk R; Ozturk A. Pelvic floor dysfunction symptoms and risk factors at the first year of postpartum womem: a cross-sectional study. Contemporany Nurse. 2020.
4. Hay-Smith J. Therapeutic ultrasound for postpartum perineal pain and dyspareunia. Cochrane Database of Systematic Reviews 1998, Issue 3. Art. No.: CD000495.
5. Thabet AA; Ashehri MA. Efficacy of deep core stability exercise program in postpartum women with diastasis recti-abdominais: a randomized controlled trial. J musculoskelet neuronal interact 2019; 19(1):62-68.
*Fisioterapeuta – Mestranda pelo Departamento de Obstetrícia e Ginecologia da FMUSP
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